quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu quis ler o que você lia, quis ver o que você via.
Gostar do que você gostava.
Eu até me apaixonei pelas mulheres que te atraíam.
Quis ser a pessoa que te dilacerou o coração e que te aleijou sentimentalmente.
Eu quis tanto que você me quisesse.
Escondi tanto minhas vontades para satisfazer as tuas...
Ocultei o máximo que pude tudo que eu achava que te desapontaria.
Acabei perdendo o foco, vivi tua vida.
E em algum momento - não sei dizer qual - encontrei a minha escondida numa caixinha empoeirada.
Abri, e então percebi que eu queria mesmo que você gostasse de mim.
Mas esqueci de me perguntar se eu realmente gostava de você.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Você não precisa de um álibi pra me abandonar.
Tudo que você tem que fazer é criar vergonha na cara,
soltar minha mão - que você acha que é sua por direito - e me dar as costas.
Porque eu, meu bem, já te dei as minhas há muito tempo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"O tempo se apossou do que havia. Foi quando pude te explicar que as minhas expectativas não eram exigências. Já que fomos tão inábeis para o amor, restou enfim, essa ternura encabulada e nossas conversas pela madrugada numa hora em que a saudade nos constrói as frases com todos os adjetivos mais suaves para não espantar o sono. E a consciência de que não há mais tempo para usufruir o que não foi aproveitado a tempo. Por isso choramos apenas por dentro sem deixar que nossa voz denuncie nosso olhar raso de esperas intactas. Por isso tanta doçura nas palavras pra não ferir ainda mais essa melodia frágil e cheia de melancolia. E essa tentativa de que o abraço, apenas escrito, tenha outras formas de tocar. Porque queríamos a mesma coisa, exatamente o que nos faltava e que não soubemos porque não tínhamos para dar. Seguimos, ainda assim, unidos não por sentirmos o mesmo amor, mas por compartilharmos aquela mesma solidão."


Marla de Queiroz

é, pois é

terça-feira, 6 de julho de 2010

e quando cuspo na tua cara que te amo,
eu te amo mesmo,
meu amor não se aplica às minhas inconstâncias.
deixo o amor intacto, num canto quente da boca.
esperando que você tire ele de forma mais delicada.

e para que eu consiga doar sem grosserias,
preciso que você aprenda a recebe-lo sem hesitações.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ele vinha durante o sono dela.
Assombrava a noite inteira.
Ela ficava angustiada,
não por ter sonhado com ele.
Mas por saber que acordaria sem.