segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Começastes como uma poeirinha na minha janela, aos poucos fostes branquiando meus vidros, até que ficasse bem fosco.
Tentei não pensar na paisagem do lado de fora, tentei ficar imóvel e sozinha ali dentro.
Consegui.
Sem me dar conta de que lá fora vendavais de areia xicotearam meu vidro e impossibilitaram toda e qualquer visão externa.
Vendavais dos quais estava me escondendo, e quando resolvi abrir a janela pra eles... já não conseguia mais.
Do lado de fora se formaram dunas que não permitiram acesso àquilo que eu mesmo havia criado.
Sem me dar conta do que acontecia, renunciei a ti, e pus meu sentimento solto no vácuo que eu me encontrava.
Chorei, briguei, sofri e por algum momento até te odiei.

Mas foi então que percebi... o vendaval que eu havia criado não bloqueava apenas a minha visão,
tu também não enxergava nada pra dentro.

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